Meus pêsames. O cavalheirismo morreu.

A sociedade evolui de forma dialética. Ora acreditamos em algum ideal e vivemos por ele, ora passamos a criticá-lo profundamente e agir em conformidade com o completo oposto daquilo que outrora sustentávamos.
Os exemplos dessas ocorrências na História são incontáveis. São alguns deles: ao feudalismo contrapôs-se o absolutismo; em oposição a este, veio o liberalismo; em detrimento da exacerbação dos ideais liberais e capitalistas, surgiram os movimentos sociais e trabalhistas, que culminaram com o reconhecimento de um Estado Social. E assim por diante. Na Música, Literatura, Pintura, Moda; na Física, Filosofia, Sociologia… enfim, em todos os campos do conhecimento humano, é verificável a evolução dialética da sociedade.
A dialética é totalmente aplicável ao caso do cavalheirismo.
Está mais que na hora de reconhecer a superação desse paradigma. Esse negócio de o homem cobrir a poça d’água com seu paletó para a donzela passar, de pagar a conta do restaurante, deixar a dama subir na carruagem primeiro, oferecer a passagem e tirar o chapéu, tudo isso é coisa do século XIX. Naquela época, a mulher não votava, não trabalhava fora de casa, nem sequer falava. Sua finalidade era a procriação e o jantar do marido. A mulher precisava saber cuidar da casa e dos filhos. Só.
Hoje, a situação é, incontestavelmente, outra. As mulheres despontam no mercado de trabalho e exercem todos os cargos imagináveis. Em muitos casos, elas são chefes de família. Votam, são votadas e eleitas. Assumem posições em que lideram milhares de homens e as exercem de forma sublime, com as nuances que somente elas possuem. E, além de tudo, continuam sabendo cuidar da casa e dos filhos. Elas provaram que são tão capazes quanto os homens, quando não são melhores.
A mulher do século XXI é, definitivamente, diversa daquela do século XIX. A dialética, aqui, salta aos olhos. Por que, então, a grande maioria delas ainda insiste que as tratemos como no século XIX, quando eram objetificadas e desvalorizadas?
Como se não bastasse isso, insistem, numa generalização completamente desarrazoada, em reclamar que todo homem não presta, ou que não se fazem mais como aqueles de antigamente!!
Sinto informá-las, minhas caras: são vocês que não sabem escolher.
Dou uma dica e por essa não cobrarei. Se o homem é cavalheiro, desconfie de plano. É um claro indício de que ele ainda acredita nos ideais do século XIX e, mais, denota que ele não tem outras qualidades a oferecer.
Por outro lado, quando o homem realmente presta, a última coisa que você perceberá será seu cavalheirismo ou a falta dele. O homem consciente do século XXI e da posição que as mulheres assumiram nele, trata-as como igual. Não as subestima nem as prejulga pelo simples fato de serem mulheres. Pelo contrário, sabe do quê são capazes e que, por vezes, são absurdamente melhores que os homens.
Se você não é tratada assim, sinto muito. Seu homem não presta. É a triste constatação (se você não percebeu antes, sinto ser eu que tenho que a informar): quando se quer direitos iguais, advêm deveres iguais.
Em vida, ele trouxe um resquício de valorização para a mulher, tão deturpada e objurgada. Permeou as relações mais puras; ajudou a encontrar amores eternos, funcionando como cupido e santo casamenteiro; evitou confrontos e impôs o respeito sob o teto de muitos lares.
Mas ele se foi.
Como em qualquer enterro, contudo, alguns não acreditarão no seu falecimento. Outros arguirão que seu espírito ainda vive entre nós. Alguns, ainda, profetizarão que ele ressuscitará dentro de três dias…
Eventualmente, cairão em si.
O cavalheirismo morreu, sim.
Estamos todos convidados para o funeral.
Publicado por Rafael em março 22, 2009 às 21:40 r r
É isso ae, por isso aqui em casa sempre foi 50/50, hehehe!
Publicado por joaquimbasso em março 23, 2009 às 0:18 r r
Isso ae, Putz! Por isso q ela casou com vc, certeza! hauahauhauh….!
Publicado por Naiara em março 23, 2009 às 1:34 r r
Gentileza é sempre muito bem vinda, eu, sendo mulher gosto de ser tratada muito bem!! Quando estou com um homem que faz muitas gentilezas é uma situação muito confortável!! Não quero deixar de ter isso, homens do outro tipo não me interessam, claro pra um relacionamento..enfim…acredito ainda no espirito da gentileza…que polêmico vc hem!!!
Publicado por joaquimbasso em março 23, 2009 às 16:22 r r
Naiara, obrigado pelo comentário. Enfim, apareceu por aqui, hein!
Sua contribuição é uma ótima oportunidade pra eu esclarecer meu ponto de vista.
Não digo que os homens devem deixar de ser gentis ou de tratar bem as mulheres. Meu ponto de vista é mais simplório: acho que já se foi o tempo em que as mulheres deveriam considerar como uma qualidade marcante ou essencial dos homens o fato de eles abrirem ou não a porta do carro (ou outros gestos semelhantes). Não é isso que importa. Um homem bom, na verdade, trata a todos com gentileza e educação. E às mulheres ainda melhor, por simples respeito que se deve a elas. Meu respeito para as mulheres adquiri em casa, ao respeitar minha mãe e minha irmã. Não abro a porta do carro pra elas nem nada. Mas, pelo simples fato de serem mulheres, sei que elas merecem um tratamento diferenciado. Assim deve ser com qualquer mulher, mas não na medida em que se fazia no século XIX.
A polêmica que quero levantar é, em resumo, a seguinte: mulheres, parem de exigir atos de cavalheirismo dos homens! Deem menos importância a esses gestos, que, em geral, são irrelevantes. O que importa realmente é uma questão de fundo, muito mais relacionada à forma com que determinado homem se relaciona com as mulheres à sua volta. Essa relação, sim, deve ser sempre diferenciada. As mulheres merecem ser tratadas de forma diversa, porque já provaram que não são como os homens. Não são piores nem melhores. E, definitivamente, não são iguais.
Publicado por audiorama em março 24, 2009 às 13:52 r r
Eu só acho o seguinte: elas reclamam que não se faz mais homem como antigamente mas sempre ficam com os babacas infiéis e estúpidos, e caras do tipo que falam coisas decentes, tem um bom papo e são honestos ficam na bosta da “friend zone”.
E ela sabem que isso é verdade.
Se não se fazem homens como antigamente, o mesmo acontece com as mulheres.
Os tempos mudam e são modernos, como o Lulu Santos bem sabe.
Mas enfim, mulheres, estou por aqui só esperando por vocês hahaahha
Audiorama sou eu, o Pedroka hem hahaha
só pra constar!
Publicado por joaquimbasso em março 24, 2009 às 14:31 r r
ahauahauhauhauh! Isso ae, Pedróka! Vc expressou com clareza a mensagem subliminar do meu post: é incrível como elas insistem em escolher homens que não prestam, mesmo quando os que prestam estão disponíveis!
Publicado por Marcus Melo em abril 5, 2009 às 22:50 r r
Caramba… o Pedroka falou tudo!
Publicado por Paula Hill em junho 1, 2009 às 2:18 r r
Uiiii homens que prestam (pedroka e joaquim)! huahuahuahuahauhau. Eu acredito que a cultura feminista, nascida daqueles fatídicos sutiãcídios (me permiti um neologismo pq eu sou mulher e eu posso!), nada mais é do que substituir o macho-alfa pela fêmea-alfa, portanto eu acho que o cara tem que cortejar, bajular, ser TUDO e mais um pouco. Além de abrir porta de carro ou pagar contas de restaurantes, ter assunto pra conversar durante o jantar, ouvir uma música boa dentro do carro. Quanto uma mulher valoriza um ou outro, vai da mente feminista barata ou nostálgica burra (no mínimo incompleta/inacurada) que eh o mais individual possível. Meu namorado, por exemplo, conseguiu aliar as duas coisas quando, em vez de me presentear com flores clichês (que eu tbm gosto – exemplo de uma mente nostálgica burra), faz CDs periodicamente, pensando e cuidando para que as músicas contidas ME satisfaçam (feminismo barato). E não, não estou disposta a vender nem troca-lo… não aceito lances de mulheres por aqui pro MEU homem que presta! rá! bjo!
Publicado por joaquimbasso em junho 1, 2009 às 9:39 r r
Paula, você não quer a igualdade dos sexos e sim a superioridade feminina… Mais uns 200 anos e vcs conseguem, quem sabe…
E sinto informar que eu conheço a tática dos CDs com música para TE agradar. Na verdade, faz parte de um “curso de adequação do gosto de sua parceira”, em que esta última é levada a um processo de lavagem cerebral para passar a gostar de música boa. Ou seja, você acredita que as músicas do CD são boas, mas quem te disse isso? Você mesma ou o namorado? Cuidado com as mensagens subliminares e a manipulação… ahuahuaha (foi mal, Murillo, revelei…)
Publicado por Dilma L. Leal em maio 28, 2010 às 8:41 r r
Bem…algumas coisas coerentes outras nem tantas, eu nem devia entrar em questão o assunto já é bem antigo nem sei se vc os lê… mais …não resisto, se eu pensar em “cavalheiro burro” que quer manipular a mulher pra conquistá-la,ou depreciá-la, tratando-a, não como diferente….mais como inferior, concordo com você, se eu pensar, como cristã que sou, que tratar o próximo com amor e gentileza e educação,nunca é demais (seja em minha maneira de ser homem ou mulher), discordo. E realmente os cavalheiros morreram, como o maior deles, Jesus, que se entregou totalmente né… mais eu creio sim que eles ressucitam em qualquer dia, hora, século, adaptados a realidade que vivem…. originais sem falsidades e únicos….
Abraços
Publicado por joaquimbasso em maio 28, 2010 às 9:18 r r
Obrigado, Dilma, pela colaboração. Como já expliquei em alguns comentários, eu mesmo não sou inteiramente a favor de meu texto. O intuito dele é provocar o leitor. Obrigado novamente!
Publicado por Música pela Música: a arte pura e os ruídos « O nome é Basso. Joaquim Basso. em janeiro 13, 2012 às 12:02 r r
[...] a memória. Na eterna lógica dialética que move o pensamento humano (de que já falei aqui), o Parnasianismo surgiu na segunda metade do século XIX como um movimento de contraposição ao [...]